Entrelaçados e apaixonados, uma noite de loucura; o lobo selvagem, sombrio, possessivo e doentio, segurou seus tornozelos brancos e delicados, puxou-a para baixo sob si e, mordendo-lhe a orelha, sussu
Tang Qingwan atravessou o corredor de cristal, onde luz e sombra se entrelaçavam, vestida num cheongsam cor de rosa-água, deslumbrante e refinado.
Seu contorno era luminoso, e seus olhos frios não revelavam uma única ondulação.
A silhueta de curvas marcantes tornava-se ainda mais sedutora na penumbra.
Parou diante de uma porta e ficou ali, em silêncio.
Atrás dela, uma fileira de seguranças também se deteve; os sapatos de couro pretos refletiam um brilho sombrio.
Seu mutismo contrastava com o riso ruidoso vindo de trás da porta.
— Senhorita Tang, quer que arrebentemos a porta e arrastemos a pessoa para fora?
Ela lançou um olhar gelado.
— Esperem aqui fora.
Empurrou a porta e entrou.
O alvoroço cessou de imediato.
Todos no camarote voltaram o olhar para ela.
Na penumbra, uma mão de dedos longos e ossos bem marcados, que girava uma taça de cristal, estacou por um instante.
Depois da névoa de fumaça, os olhos de um lobo, desatentos e preguiçosos, pousaram sobre ela com frieza, observando-a com atenção.
A fumaça entrou-lhe pelas narinas como uma serpente, descendo pela garganta e queimando o peito.
Tang Qingwan reprimiu a vontade de tossir e, com um sorriso afável, lançou a coleira de cachorro sobre a mesa de centro.
— O cachorrinho de casa se perdeu. Imaginei que, depois de virar gente, eu não o reconheceria mais.
O salão inteiro mergulhou em silêncio.
Ainda assim, todos entenderam, num consenso tácito, quem era o tal “parece gente, mas é um cão”.
O homem no sofá