Xu Yuan morreu. E voltou à vida! Justamente, sua alma foi parar no corpo de uma santa da seita ortodoxa. E é bom saber: ser santa não é nada fácil! É preciso ser fria, desapegada e começar a história
Xu Yuan estava morta, mas não por inteiro.
Não se sabia que desgraçado enlouquecido — ou que bom sujeito — tinha usado uma arte maldita para selar sua alma dentro do corpo de outra pessoa.
E, para completar o infortúnio, essa outra pessoa era justamente sua inimiga mortal: a santa da Seita do Céu Profundo, Shangguan Qing.
A história entre as duas era complicada demais para ser resumida numa só frase. Em suma: quando não se encontravam, as pessoas as comparavam; quando se encontravam, começava a disputa.
Xu Yuan era sempre a maldada da vez: raposa traiçoeira, demônio sedento de sangue, nova chefona do mal herdeira do ofício da mãe e assim por diante... enfim, havia oito ou dez rótulos cravados nela, e ela engolia todos. Mas, se quisessem jogar sobre ela a culpa por assassinato e incêndio, isso ela não suportava nem um pouco.
Ela, afinal, era a jovem mestra da Terra Demoníaca! Não tinha direito a um mínimo de dignidade? Pois tinha, embora a dignidade não fosse assim tão importante. Mas uma coisa era certa: se não fez, não fez!
Havia décadas, a seita demoníaca vinha sendo reformada repetidas vezes sob o comando de sua mãe e já não era aquela antiga seita entregue a toda espécie de maldade; tornara-se uma nova seita, lado a lado com as facções ortodoxas. Só que aqueles velhos apodrecidos permaneciam presos a seus preconceitos e se recusavam a reconhecer isso. Além deles, havia também ratos covardes despejando lama de propósito, até que a reputação da nova seita fosse arruinada vez após vez. Sua mãe, então, simplesmente passou a se sustenta