Adquiriu a habilidade de criar mundos virtuais de jogos. Para expandir o mapa desse universo, era necessário devorar outros mundos. Assim, todos os grandes mundos testemunharam o surgimento dos seres
O relógio marcava oito horas da noite quando Tiago Carvalho, teclando no computador, finalmente subiu o último capítulo do dia. Ele soltou um longo suspiro de alívio. Tiago era um autor comum, ainda estudante universitário, mas guardava em segredo uma identidade adicional: a de alguém que havia atravessado mundos.
Já fazia quase oito anos desde que chegara a este mundo, tão semelhante à Terra. No início, Tiago acreditou que, com o conhecimento acumulado da antiga Terra, logo faria sucesso nesse novo lugar. No entanto, percebeu, com tristeza, que não tinha talento para desenhar, tampouco para programar. Sua única habilidade razoável era a escrita.
Em oito anos, Tiago escreveu cinco romances, todos com resultados medianos — o suficiente para viver do ofício, mas longe do estrondoso sucesso que vira na Terra. Refletindo sobre as causas, concluiu que se devia ao fato de o chamado Planeta Azul estar tecnologicamente cinco ou seis anos à frente da sua Terra natal.
Neste mundo, jogos de realidade virtual já eram predominantes; sua geração, que jogava no computador, já era considerada ultrapassada. A sorte foi que, justamente naquele dia, após oito anos, Tiago finalmente encontrou o seu tão esperado “presente” de viajante.
— Consegue me ouvir? — Uma jovem translúcida, aparentando uns quinze anos, flutuava no ar, observando Tiago, que preparava-se para jantar sua marmita.
— Pode falar, estou ouvindo — respondeu Tiago, mordendo uma coxa de frango. Para alguém que atravessou mundos, ver um fantasma translúcido à frente não era motivo de espanto.