A Batalha de Smolensk, a Batalha de Kursk, a Batalha de Stalingrado, o Front Norte-Africano, o Teatro do Pacífico, os enigmáticos polos Norte e Sul... Mais de meio século se passou desde a Segunda Gue
Nos arredores da cidade de Smolensk, uma UAZ452, nem nova nem velha, repousava de portas escancaradas numa clareira do bosque, enquanto uma névoa de chuva miúda, obstinada e inútil, tentava lavar a crosta espessa de lama que recobria a lataria.
Não longe da velha van, sob o centro de um resistente toldo de lona, Shi Quan agachava-se cautelosamente dentro de um buraco de terra de dois metros quadrados por mais de um metro de fundura, limpando com cuidado o solo negro e úmido.
“Tum!”
A pá de sapador, de fabricação soviética, afundou-se na camada de terra molhada, devolvendo um som surdo.
“Encontrei!”
O rosto de Shi Quan iluminou-se de alegria; largou a pá às pressas e começou a cavar a lama com as próprias mãos.
Um leve odor de podridão invadiu-lhe as narinas, e um tronco carbonizado, depois de mais de setenta anos, finalmente voltou à luz do dia.
“Não resta dúvida, desta vez é mesmo o posto de comando avançado dos alemães na Segunda Batalha de Smolensk!”
Foram duas semanas de trabalho árduo, escavando mais de dez pontos ao redor dos subúrbios de Smolensk, mas enfim o destino lhe sorrira.
“Crac!”
Com um golpe vigoroso, o tronco podre cedeu facilmente; Shi Quan, precavido, recuou um passo e ampliou a abertura do buraco.
“Meio mês já se passou, ao menos que apareça algo de valor!”
Resmungava enquanto, com movimentos cada vez mais delicados, retirava a terra solta, removendo com paciência o lodo residual da base. Foram necessários bons trinta minutos até que emergisse do fundo um pesado cofre metálico.