"Xia Ji, sendo príncipe, ousou se envolver com uma mulher demoníaca, manchando a honra da família real. Que punição merece?" "Estou disposto a permanecer recluso na Sala dos Sutras por três anos."
Dinastia Shang, capital imperial.
A neve, impelida pelo vento norte, urrava como tigres selvagens, devastando ruas e vielas; contudo, ao alcançar o palácio imperial, era detida pelas muralhas profundas e telhas de vidro, enfraquecendo-se consideravelmente.
A nona princesa, Su de Verão, carregando uma caixa de madeira vermelha com refeições, caminhava apressada de cabeça baixa até o lado leste do salão exterior, onde se erguia a Torre dos Sutras.
De dentro da torre soava a voz juvenil recitando escrituras:
— O Bodisatva Avalokiteshvara, enquanto praticava profundamente a Perfeição da Sabedoria, percebeu que os cinco agregados são todos vazios, superando assim todo sofrimento e desventura. Ó Shariputra, forma não difere do vazio, vazio não difere da forma, a forma é o vazio e o vazio é a forma; o sentir, perceber, agir e conhecer também são assim...
Su de Verão parou diante da porta, ouvindo em silêncio a recitação. Seu rosto, sempre repleto de cautela e medo, relaxou um pouco, pois quem recitava era seu irmão de mesmo sangue — o sétimo príncipe, Ji de Verão.
Cinco anos antes, sua mãe morrera assassinada durante uma viagem pelo reino ao lado do imperador. Dois anos atrás, o irmão fora acusado de se relacionar com uma feiticeira e, por isso, estava ali, em reclusão, recitando escrituras noite e dia como forma de penitência.
Embora o palácio fosse imenso, ela sentia que só restava o irmão como família.
Baixando os olhos, abriu cuidadosamente a tampa da caixa: o caldo de carneiro ainda fumegava, fazendo-a sorrir de novo.
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